Como o Mais Médicos afetou a formação de profissionais em Caruaru (PE)

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07/07/2016

A interiorização das universidades de Medicina no Nordeste a partir do Programa mudou o cenário da saúde pública na região; conheça o caso de Caruaru, no agreste de Pernambuco

Por Evellyn Lima, especial para o Saúde Popular

Um dos objetivos do Programa Mais Médicos, tema da série de reportagens especiais desta semana, é a ampliação dos cursos de Medicina e a facilitação de seu acesso, ou seja, garantir a entrada de mais pessoas em um curso de qualidade em áreas onde esta graduação ainda não havia chegado. Isso levou a uma interiorização do curso, que pode ser notada principalmente no Nordeste, uma das regiões mais carentes de profissionais nesta área.

Caruaru está entre esses casos bem-sucedidos. O município pernambucano, situado a 130 km de Recife, tem mais de 300 mil habitantes, mas as oportunidades de estudo de nível superior se encontravam apenas na capital.

A partir de programas federais, a cidade começou a usufruir dos benefícios da interiorização do ensino e hoje conta com diversos cursos de graduação, entre eles o de Medicina, ofertado no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que fica na cidade.

Temporariamente no Pólo Comercial da cidade, o curso começou a ser pensado antes do Mais Médicos, mas sua implementação, em 2014, foi impulsionada pelo Programa, sendo que este foi um dos primeiros do Brasil a aderir.

Hoje, o campus conta com aproximadamente 340 médicos do Programa sob sua coordenação, abrangendo três das 12 regiões de saúde do Estado, estreitando os laços com as secretarias de Saúde municipais e tendo a oportunidade de conhecer a realidade destes municípios.

Residência

O Programa estabeleceu também como uma das suas metas a ampliação do acesso à Residência, com a expectativa de que todo médico formado no Brasil tenha acesso a uma vaga.

O curso de Caruaru se antecipou e criou seu próprio programa de residência desde o seu primeiro ano de funcionamento, contando atualmente com 15 vagas.

De acordo com o coordenador do curso, Rodrigo Cariri, a área que mais avançou foi a de saúde do Campo. “Através de uma parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) e da extensão universitária conseguimos chegar ao assentamento Normandia, onde as UBSs [Unidades Básicas de Saúde] não chegavam”, explicou.

O coordenador contou ainda que o próximo plano é a ampliação da residência, criando o R3 em Saúde do Campo com o objetivo de interiorizar ainda mais o acesso à saúde.

“Foi um programa fundamental, inédito na história do Brasil. E é uma estratégia importante de provimento de profissionais, mas é muito mais uma ferramenta de regulação da categoria, o que trará grandes melhorias futuramente”, pontua Cariri.

Estudantes

Pelo fato do curso ter nascido praticamente junto com o Mais Médicos, os alunos são bastante familiarizados com as suas estratégias e diretrizes, pois seus professores são tutores dos médicos que fazem parte do programa.

“Nossa faculdade é pautada pela necessidades reais de saúde da população. Então ela já surgiu com este propósito de ter estratégias de promoção e prevenção de saúde ligadas aos princípios do SUS”, explicou Eduarda Moura da cidade de Machados (PE), graduanda do 3º período.

A estudante coloca ainda que o Programa melhorou substancialmente as taxas da sua cidade natal, como mortalidade, nutrição, entre outras.

Já para o estudante do 4º período Vinícius Ferreira, da cidade de Belo Jardim (PE), além de ampliar as vagas e o curso, é necessário garantir também a infraestrutura necessária para o seu funcionamento, pois o curso de Medicina requer muitos equipamentos. “Pretendo me especializar, fazer residência e voltar para atuar na região”, afirma o estudante.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

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Um comentário sobre “Como o Mais Médicos afetou a formação de profissionais em Caruaru (PE)

  1. Olá, companheiros!
    Meu nome é Marcos Pedrosa, sou professor de medicina da UFPE, um dos tutores do Programa Mais Médicos da nossa instituição. Excelente ver nossa experiência na implantação do curso de medicina de Caruaru, implantado pela UFPE aqui no Saúde Popular! Realmente, a experiência de Caruaru representa muito bem os 3 eixos do programa: provimento de médicos para a atenção básica, expansão da graduação e expansão da residência médica.

    Só um correção. Atualmente temos 20 (vinte) vagas de residência médica da UFPE credenciadas em Caruaru e funcionando, em 4 especialidades médicas diferentes: Clínica Médica, Ginecologia & Obstetrícia, Medicina de Família e Comunidade e Psiquiatria.

    Abraços e parabéns pelas excelentes matérias que o Saúde Popular tem produzido!

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