Movimentos da saúde fazem ato contra ministro da Saúde em Fortaleza

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01/06/2016

Profissionais não reconhecem o governo interino de Michel Temer e apontam que o SUS está ameaçado por mudanças em programas como o Mais Médicos e na perda de verba para o sistema

Da Redação

Diversos movimentos da saúde fizeram hoje (1o) um ato contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), durante uma apresentação dele no Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que ocorre até sábado em Fortaleza (CE). Na ação, chamada de escracho, os médicos ergueram uma faixa com a frase “Fora Temer”. O ato faz parte da jornada em Defesa da Democracia e do Sistema Único de Saúde (SUS) que ocorrem ao longo desta semana para denunciar os ataques ao sistema público de saúde.

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Os profissionais não reconhecem o governo interino de Michel Temer (PMDB) e apontam que o SUS está ameaçado, sobretudo, por mudanças em programas que trouxeram dignidade no atendimento aos brasileiros, como o Mais Médicos. “Depois de ser criticado pelos próprios conselheiros [do Conselho Nacional de Saúde], ele não comentou, por exemplo, sobre a continuidade dos intercambistas, quando nós sabemos que a presença deles é fundamental para que o Mais Médicos tenha a amplitude que tem”, avaliou Ronney Pinto, da Rede de Médicos Populares.

Segundo Ronney, o ministro também evitou comentários sobre o financiamento do SUS. “Ele não emitiu opinião sobre projetos que tramitam no Congresso Nacional e podem retirar mais verba”, relatou. O movimento destaca, como exemplo do desinvestimento na saúde pública, a reiteração da Emenda Constitucional 86/15, que diminui os recursos federais destinados à saúde e desobriga a transferência automática para os orçamentos municipais e estaduais, assim como a tramitação no Congresso Nacional da PEC 143/2015, que corta 25% das receitas de custeio do sistema.

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Mobilizações pelos Estados

Desde segunda-feira (30), diversas ações ocorrem em torno da “Semana de Mobilizações em Defesa do SUS e da Seguridade Social”. Em Salvador, movimentos populares ocuparam o prédio do Ministério da Saúde.

Na manhã desta quarta-feira (1o), diversas Unidades de Saúde da Família de João Pessoa, na Paraíba, amanheceram com cartazes e frases escritas nas calçadas denunciando os ataques que o SUS vem sofrendo nas últimas semanas.

Nesta sexta-feira (3), em São Paulo, haverá um ato às 16h no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, com o lema “Por um SUS do tamanho do povo brasileiro: sem Temer!”. Ainda na capital paulista, será realizado, no dia 8 de junho, um ato em frente à Câmara Municipal de São Paulo, às 12h.

Governo

A assessoria do ministro informou que entre os pontos prioritários da gestão dele em relação ao Mais Médicos está o fortalecimento da participação dos profissionais brasileiros no programa, mas que isso não impede que sejam convocados estrangeiros, caso as novas vagas não sejam preenchidas.

Sobre o financiamento, a assessoria de imprensa destacou que tem feito o esforço de liberar, junto a equipe econômica do governo, R$ 5,5 bilhões que foram contingenciados do orçamento de R$ 18 bilhões destinados à área. E sobre propostas que desvinculariam o percentual mínimo de investimento da saúde, informou que não cabe ao órgão comentar propostas que são de responsabilidade do Ministério da Fazenda.

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