Ex-ministros da saúde assinam manifesto em defesa da democracia

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04/04/2016

O documento afirma que só existe saúde pública na democracia e que os mesmos que apoiam o golpe, são os que apoiam o desfinanciamento do SUS

Da Redação

Cinco ex-ministros da Saúde assinam o manifesto “A saúde em defesa da democracia – não ao golpe”, que relaciona a tentativa de tirar a Presidente da República, Dilma Rousseff, do cargo, com os ataques constantes à saúde pública.

Arthur Chioro (2015), Alexandre Padilha (2011 – 2014), José Gomes Temporão (2007 – 2010), José Agenor (2006 – 2007) e Humberto Costa (2003 – 2005) foram os ex-ministros que assinaram o manifesto.

Segundo o documento, o Sistema Único de Saúde (SUS) só pode existir num cenário em que o Estado democrático de direito seja respeitado e no qual o “respeito à diferença [seja] coerente com os princípios do SUS, como a equidade”, explica o manifesto.

Segundo a nota, “O SUS sofre há muitos anos com ataques constantes dos mesmos setores da mídia que apoiam hoje o golpe. Uma política pública ameaçada de ampliar seu desfinanciamento com a agenda apresentada por grupos golpistas, com graves consequências à universalidade, integralidade e equidade”, afirma o documento.

Além dos ex-ministos, várias instituições e movimentos ligadas à saúde também assinaram a nota, como o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, a Abrasco, a Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares e outras 15 instituições.

Confira a nota completa:

A SAÚDE EM DEFESA DA DEMOCRACIA – NÃO AO GOLPE!!!

Nós, militantes da saúde (usuários, gestores, trabalhadores, dirigentes de entidades de trabalhadores, docentes, pesquisadores, residentes, estudantes, conselheiros e ativistas de movimentos populares da saúde), que dedicamos nossas vidas nas últimas décadas ao processo de construção e implementação do Sistema Único de Saúde, a partir da visão de que a saúde é um direito social, de cidadania e, portanto, um dever do Estado, manifestamos o nosso repúdio a qualquer tentativa de impeachment de uma presidenta eleita pelo voto popular descumprindo o estabelecido na Constituição.

O impedimento de quem galgou o posto de presidenta da República sem que tenha cometido crime de responsabilidade, devidamente comprovado, é GOLPE. Golpe também sobre os avanços democráticos, na atenção universal e gratuita representados pelo SUS.

Compreendemos que a promoção, a produção da saúde e o enfrentamento dos determinantes sociais, que possam garantir vida com mais qualidade e saúde para a nossa população, são indissociáveis da garantia de direitos sociais e da democracia, conquistados com muita luta e ameaçados. Aqueles que não obtiveram aprovação nas urnas e que se associam aos interesses de empresários e financistas inescrupulosos, setores do judiciário e da mídia, mancomunados para produzir atalhos que poderão escrever, se tiverem êxitos, uma história de trevas e atraso para o nosso país.

Nós, que prezamos e lutamos pela democracia, não podemos aceitar essa afronta ao Estado Democrático de Direito.

Saúde, democracia e cidadania em nosso país foram conquistas estabelecidas no contexto da luta política pela redemocratização. Também execramos a corrupção e esperamos que o país seja passado a limpo. Todos que cometeram ilícitos – mas todos mesmo – devem ser investigados e punidos, dando-lhes o direito de responderem as acusações respeitado o devido processo legal. Não vamos permitir retrocessos. Conclamamos todos os democratas a se unirem na luta pela democracia e contra o golpe.

Repudiamos também o clima de ódio fomentado. Se nos calarmos diante desta ilegalidade democrática, estaremos nos calando diante da intolerância com o desigual, diante da violência contra a comunidade LGBTT, mulheres, negros periféricos. Respeito à diferença coerente com os princípios do SUS como a equidade.

O SUS sofre há muitos anos com ataques constantes dos mesmos setores da mídia que apoiam hoje o golpe. Uma política pública ameaçada de ampliar seu desfinanciamento com a agenda apresentada por grupos golpistas, com graves consequências à universalidade, integralidade e equidade.

Só existe SUS na democracia!

Saúde é luta!!!

Não vai ter golpe!!!

Assinam esta Petição:

Alexandre Padilha – Ex-Ministro da Saúde

Arthur Chioro – Ex-Ministro da Saúde

Humberto Costa – Ex-Ministro da Saúde

José Gomes Temporão – Ex-Ministro da Saúde

José Agenor – Ex-Ministro da Saúde

Conceição Lemes

Assine você que defende o SUS e a Democracia Brasileira

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3 comentários sobre “Ex-ministros da saúde assinam manifesto em defesa da democracia

  1. Uma das formas de defender o SUS é exigir que o ministério da saúde saia do balcão de negociação por governabilidade. Foi a duras penas que conquistamos os avanços obtidos no setor saúde, mas estamos vendo os retrocessos na luta histórica pela mudança do modelo de atenção e vendo os recursos de financiamento a cada dia mais entregues ao setor privado em compra de serviços da alta e da média complexidade para onde se destina a maior parte destes recursos. Chega de ministros sem compromissos com a reforma sanitária, chega de ministros que apóiam a terceirização na contratação de trabalhadores, chega de ministros que se mantém apoiando os desmandos das indústrias farmacêuticas e de equipamentos! Assinar esta petição, não significa, infelizmente, uma verdadeira manifestação de defesa ao SUS! Precisamos de uma luta mais contundente pelo SUS, depois que vencermos a luta contra o golpe! Confio em nossa presidente e tenho certeza de que voltará o seu olhar para esta questão!

  2. O SUS é um. Patrimonio Nacional das conquistas do pivo brasileiro , não pode ter retrocesso e sim avanços e consolidação.

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