Sem-terra homenageiam médicos cubanos na Bahia

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15/01/2016

Durante Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os militantes enfatizaram a importância da medicina cubana nos assentamentos da região.
Da Redação

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“A vinda dos cubanos para cá [Brasil] mudou muito nossa realidade. Os médicos brasileiros muitas vezes nem olham na sua cara. Você vai ao médico porque está com algum problema, chega lá, e não é bem tratado”. Este é o relato de Edinaldo Correia, membro do setor de saúde do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia, sobre a atuação dos médicos cubanos que fazem parte do Programa Mais Médicos no Brasil.

Durante o 28o Encontro Estadual do MST, que ocorreu entre os dias 10 e 12 de janeiro, foi feita uma homenagem a esses profissionais que atuam nos assentamentos e acampamentos do estado. Durante a atividade, os militantes presentearam os cubanos com cestas de produtos da reforma agrária. Mais de 1,5 mil pessoas participaram do evento.
Durante a homenagem, foi lembrado o histórico da Escola Latino-Americana de Saúde, criada em 1999 pelo governo cubano. Edinaldo enfatiza que o atendimento feito pelos médicos cubanos é mais humanizado.

“Com a qualidade do atendimento dos médicos cubanos, a população da zona rural, quando chega para ser atendida por esses médicos, acaba sendo resolvido não só os problemas físicos, como os de espírito. Eles escutam o paciente e buscam entender o meio em que você vive. Isso automaticamente reflete positivamente na qualidade de vida dessas pessoas”, acrescentou o membro do setor de Saúde que morou em Cuba por 11 anos.

A medicina cubana tem como principal objetivo a prevenção. O modelo de Cuba e os indicadores de saúde do país são elogiados por organismo internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Há dois anos, uma parceria entre a Organização Pan-Americana de Saúde, que integra a OMS, e o Ministério da Saúde do Brasil ampliou o atendimento médico no país.

“Tem lugares que os médicos cubanos estão trabalhando que nunca teve médico brasileiro”, disse Edinaldo. Ele destaca que isso melhora a condição de vida nessas comunidades. “Em algumas regiões, a mortalidade infantil foi reduzida a zero e os índices de algumas doenças crônicas também estão em queda pela prevenção que eles estão fazendo. Isso é um marco importantíssimo na história do nosso país”, avaliou.

Críticas

A chegada dos profissionais cubanos foi alvo de críticas pela categoria médica do Brasil. Um dos atos mais emblemáticos foi feito durante a chegada dos médicos de Cuba nos aeroportos. Vestidos com jalecos, médicos brasileiros gritavam palavras como “escravos” para criticar a forma de contratação deles. Conforme termo de cooperação com o governo cubano, uma parte do valor é designado para o custeio do sistema de saúde no país de origem. Edinaldo lembra que o programa deu preferência para médicos brasileiros e só chamou os estrangeiros para as vagas que não foram preenchidas.

Em contraposição às críticas, pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) mostra que o Mais Médicos tem aprovação de 94% dos brasileiros. A grande maioria dos entrevistados estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o atendimento dado pelos profissionais e atribuíram nota 9 ao programa. O levantamento ouviu 14 mil pessoas em 700 municípios.

Foto: Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

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