Violência obstétrica: uma em cada quatro já sofreu agressões no parto

Facebooktwitter

26/11/2015

No Dia Internacional do Combate à Violência Contra a Mulher, em 25 de novembro, agressões físicas e psicológicas na hora do parto também são lembrados

Da Redação

Ainda pouco discutida, entre todas as violências lembradas no Dia Internacional do Combate à Violência Contra a Mulher, nessa quarta-feira (25), a violência obstétrica é uma realidade na vida de milhares de mulheres. Além disso, um agravante é observado quando, pela confiança depositada em profissionais de saúde, muitas mulheres não sabem que são vítimas deste tipo de agressão, que, infelizmente, é comum: um quarto das mulheres já passou por essa situação.

“É difícil saber, na hora, que você está sendo vítima. Você está muito vulnerável e quer, do fundo do coração, acreditar nos profissionais”, relata a jornalista Carol Patrocínio, de 30 anos.

Carol sofreu violência durante o parto em suas duas gestações. Ela conta que no nascimento do primeiro filho, uma cesárea, ela sofreu maus-tratos e desrespeito por ter que esperar cerca de seis horas sem acompanhante para a cirurgia. “Na minha primeira gestação eu nem imaginava que aquilo era uma violência. Eu tinha 18 anos e tinha certeza de que o médico queria o melhor para mim. Nem pensava que podia haver outros interesses envolvidos”, lamenta.

Na segunda gestação a jornalista mudou de método e resolveu fazer um parto natural. Ela chamou uma amiga, que é obstetriz, para acompanha-lá. “Não quis que ela fosse a única profissional pelo envolvimento emocional e soube que a médica humanizada só não fez uma episiotomia desnecessária porque minha amiga não deixou”, lembra.

Casos

A realidade de Carol é compartilhada por milhares de mulheres. Segundo a pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, de 2010, da Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres brasileiras já sofreu violência obstétrica.

Um mapeamento da violência no parto realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que um total de sete ações praticadas contra as parturientes: abuso físico, abuso sexual, preconceito e discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as mulheres e os prestadores de serviços e condições ruins do próprio sistema

“A violência obstétrica pode acontecer pela ação e pela omissão. Agindo de maneira agressiva, seja por violência física, psicológica e moral. Na psicológica estão as ameaças ou até o isolamento (evitar a presença do acompanhante), a moral são os xingamentos (hostilizar mãe adolescente, mulher de baixa renda, usuária de narcóticos) e as omissões são a falta de leitos, de informação, de consentimento livre e esclarecido. Tudo que vão fazer no seu corpo tem que ser explicado e o paciente tem que aceitar. Não tem isso de que quando a gente entra num hospital podem fazer tudo que queiram em nosso corpo”, aponta a sanitarista e presidente da Associação Artemis (ONG que cuida da defesa dos direitos das mulheres), Raquel Marques.

Políticas públicas

Assim como as organizações não governamentais, a prefeitura de São Paulo também vem aumentando sua participação na vida das parturientes, proporcionando um parto saudável, seguro e humano. A exemplo o recente convênio firmado no dia 19/11 entre a secretaria de saúde do município e a Casa de Parto Casa Angela, no Jardim São Luiz, na zona sul da capital, onde a prefeitura se comprometeu a fazer repasse de até R$ 2 milhões por ano para a ampliação de 30 vagas de atendimento mensal de pré-natal, parto natural e acompanhamento até o primeiro ano de vida do bebê, para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) do município.

Histórico

O dia 25 de novembro foi considerado “Dia Internacional do Combate à Violência contra a Mulher” desde 1981, durante o Primeiro Encontro Feminista da América Latina e Caribenha, em Bogotá, na Colômbia, em homenagem as irmãs Mirabal, conhecidas como “Las mariposas” e que foram brutalmente assassinadas por participarem de movimentos de libertação na América Latina em sua terra natal a República Dominicana.

 

Facebooktwitter

2 comentários sobre “Violência obstétrica: uma em cada quatro já sofreu agressões no parto

  1. em 2006 eu sofri muito no meu parto ,me trataram muito bem no posto 24hs em que fui em primeiro instante (em cidreira /rs)mas já estava com cinco dedos de dilatação e tinham que mandar para o hospital de Osório que fica a alguns kilometros dali disseram que como eu já havia tres filhos pra chegar a hora era de um instante pra outro,então quando cheguei lá o médico não estava era plantão dele mas ele estava em casa porque morava perto me lembro que o nome dele era Aquino,então depois de uma hora mais ou menos ele chegou me atendeu e voltou pra casa pois disse que não estava na hora,fiquei com dores a noite toda me deram paracetamol pra dor e mandaram eu esperar,ele chegou novamente era 7 da manhã quando tava na hora da troca de turno,mandou as “parteiras” como ele mesmo se referiu,me colocarem no soro ,não deu cinco minutos estva em trabalho de parto,consequentemente uma das parteiras me apertou a barriga pra baixo e ele disse que ia me dar uma “ajudinha”me rasgou literalmente com os dedos sem ferramenta alguma e depois que tive meu filho tive uma hemorragia e não me falaram nada quem disse foi a enfermeira de outro turno que trocou minha cama ,além disso logo que saí da sala de parto fiquei com a sensação de ceguez,via tudo branco mal conseguia responder.achei que isso foi uma atrocidade mas fiquei com medo de denunciar

  2. em 2006 eu sofri muito no meu parto ,me trataram muito bem no posto 24hs em que fui em primeiro instante (em cidreira /rs)mas já estava com cinco dedos de dilatação e tinham que mandar para o hospital de Osório que fica a alguns kilometros dali disseram que como eu já havia tres filhos pra chegar a hora era de um instante pra outro,então quando cheguei lá o médico não estava era plantão dele mas ele estava em casa porque morava perto me lembro que o nome dele era Aquino,então depois de uma hora mais ou menos ele chegou me atendeu e voltou pra casa pois disse que não estava na hora,fiquei com dores a noite toda me deram paracetamol pra dor e mandaram eu esperar,ele chegou novamente era 7 da manhã quando tava na hora da troca de turno,mandou as “parteiras” como ele mesmo se referiu,me colocarem no soro ,não deu cinco minutos estava em trabalho de parto,consequentemente uma das parteiras me apertou a barriga pra baixo e ele disse que ia me dar uma “ajudinha”me rasgou literalmente com os dedos sem ferramenta alguma e depois que tive meu filho tive uma hemorragia e não me falaram nada quem disse foi a enfermeira de outro turno que trocou minha cama ,além disso logo que saí da sala de parto fiquei com a sensação de ceguez,via tudo branco mal conseguia responder.achei que isso foi uma atrocidade mas fiquei com medo de denunciar.desejo saber se isso foi uma violencia. .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.