Médicos populares estão em Mariana para mapear danos à saúde

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16/11/2015

Integrantes da Rede de Médicos Populares irão conversar com moradores atingidos pela tragédia provocada pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco e preparar material sobre condições de saúde das pessoas.

Da Redação

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares irá se juntar ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Mariana para colaborar no atendimento às vítimas do rompimento de duas barragens no município mineiro, sobretudo em relação ao diagnóstico das condições de saúde. Três profissionais estarão no local pelos próximos sete dias.

As barragens de rejeitos da mineradora Samarco, da qual a Vale é detentora de metade das ações, romperam no dia 5 de novembro e deixaram 11 mortos e 15 desaparecidas, sendo nove funcionários da empresa e seis moradores.

A intenção da Rede não é fazer um atendimento emergencial para a população, pois as unidades de saúde de Mariana já deram conta deste atendimento, e sim analisar os efeitos de médio e longo prazo causados pelo rompimento, conversando com os moradores atingidos.

Os médicos produzirão entrevistas em vídeos com a população, com representantes das secretarias de Saúde e de movimentos populares, além de distribuir questionários para mapear os impactos relativos à saúde causados pelo rompimento e preencher diários com observações e vivências.

Esse material, segundo os médicos, servirá como apoio para denúncias da população e também como base para acompanhar a comunidade de Mariana ao longo dos anos.

Segundo Ana Paula de Melo Dias, integrante da Rede de Médicos Populares, a proposta do grupo vai além de uma ação assistencial. “Queremos fortalecer a luta dos moradores atingidos, dando espaço para a visão deles”, declarou.

Ela acredita que o acompanhamento da saúde em Mariana tem que se dar ao longo dos anos. “Não sabemos de fato quais são os contaminantes da lama, o que ela vai causar a médio e longo prazo em contato com as pessoas, água, solo, alimentos. E essas questões tóxicas costumam surgir muito tempo depois, até fica difícil fazer a relação causal. Por isso, queremos fazer um acompanhamento longitudinal. Não vamos lá esta semana e esquecer o fato. Queremos acompanhar a população durante os anos que estão por vir, para não perder essa relação causal que possa existir”, explicou.

Danos psicológicos

De acordo com Juliano Vasconcelos Gonçalves, secretário de Saúde de Mariana, cerca de 900 pessoas já foram atendidas desde o rompimento das barragens, por 300 profissionais. “O sistema de saúde na cidade foi sobrecarregado e muitas pessoas foram encaminhadas para Belo Horizonte”, informou.

Em relação às pessoas que tiveram contato com a lama, Gonçalves informou que estão sendo feitos exames de sangue para acompanhamentos de possíveis doenças, como leptospirose, febre tifóide e tétano. “Eles estão em vigilância constante”, destacou.

Os danos do rompimento não são só físicos, garante o secretário. “Muitos pacientes chegam em estado de choque. São pessoas que perderam familiares, todos seus pertences e necessitam de atendimento psicológico”, relatou

Ana Paula acredita que a condição psicológica da população também deve ser monitorada a longo prazo. “As conversas que vamos fazer agora é algo positivo nesse aspecto psicológico. Mas problemas como aumento no índice de depressão, suicídios, uso de drogas, alcoolismo, prostituição, tudo isso pode vir a aumentar ao longo do tempo. E isso são efeitos dessa tragédia que temos de observar e ficar atentos”, apontou.

Foto de capa: Lucas Bois
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4 comentários sobre “Médicos populares estão em Mariana para mapear danos à saúde

  1. Como colaborar com essa rede de médicos do Brasil concretamente solidários e que podem a curto médio e longo prazo documentar o impacto da produção sobre a saúde e ambiente.

  2. É importante a Rede entrar em contato com o CEREST via SES, por onde estão sendo centralizadas as ações de apoio em saúde para a região, bem como por onde está sendo pleiteado um núcleo do CEREST para Ouro Preto, com vínculo com a UFOP e já sob responsabilização de uma docente do curso de Medicina. A ideia é que através disso se consigam centralizar as informações, bem como aglutinar as forças sociais, principalmente via movimentos sociais e sindicatos, de forma a fortalecer a luta dos trabalhadores da região.

  3. Olá, Glaucia! Vc pode entrar em contato conosco, se quiser se juntar à rede. Todo trabalho e solidariedade são sempre bem vindos!
    Por uma medicina do povo e para o povo!
    Me procure no FB: Ana Melodias.
    Abraços fraternos.

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