Opinião – Um Outubro Rosa para além das mamas e da mamografia

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05/10/2015

Por Natália Santos*

O Outubro Rosa é uma campanha realizada anualmente para alertar a população sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama. Ele é o segundo tipo de câncer mais frequente nas mulheres ficando apenas atrás do de pele não melanoma, o que mostra a importância da conscientização da realização dos exames de prevenção e combate à enfermidade.

Como estratégia de detecção precoce, a mamografia, uma radiografia da mama que permite a visualização de lesões suspeitas em fase inicial, é recomendada pelo Ministério da Saúde, a cada dois anos, para mulheres entre 50 e 69 anos. Para a mamografia ser realizada, a mama é comprimida, o que pode gerar algum desconforto, porém, discreto.

Mas o cuidado com a saúde da mulher não se encontra apenas na prevenção de um câncer. A mulher é um sujeito integral, composto não apenas por mamas, mas por sexualidade, história de vida, crenças e processos individuais e coletivos. Tudo isso contribui ainda mais para seu adoecimento a tornando mais passível a estresses e angústias que precisam ser trabalhados e reconhecidos tanto pelos médicos como pelas usuárias do sistema de saúde.

É importante manter o autocuidado e a prevenção que vai além da mamografia. O aleitamento materno, por exemplo, atua na redução do risco de câncer de mama e essa redução é maior quanto mais longo for o período de aleitamento e maior o número de bebês amamentados. A prática de atividade física e a alimentação saudável também têm benefícios comprovados na redução do risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Ainda vale ressaltar que a necessidade de rastreamento do câncer de mama apresenta divergências. Há estudos científicos, por exemplo, que apontam para os malefícios do rastreamento, no caso, mulheres recebendo o diagnóstico de câncer, mesmo que este seja pouco agressivo e não seja capaz de levar a morte ou doença. É o que chamamos de sobrediagnóstico. Também são descritos os tratamentos desnecessários devido ao diagnóstico de uma lesão que ao longo na vida não implicaria em adoecimento para a mulher.

Neste sentido, o conhecimento por parte das mulheres sobre o que é normal e as alterações consideradas suspeitas são fundamentais. Por isso, o hábito de observar o próprio corpo e tocá-lo deve ser praticado. Em caso de aparecimento de sinais como nódulo, saída de líquido claro do bico do seio, pele da mama avermelhada ou parecendo casca de laranja, uma unidade de saúde mais próxima deverá ser procurada.

*Natália Santos é médica e integrante da Rede de Médicas e Médicos Populares.

Foto: Robson Fernandjes/Fotos Públicas

 

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Um comentário sobre “Opinião – Um Outubro Rosa para além das mamas e da mamografia

  1. A Política da Saúde da Mulher 👩 historicamente é biomédica… Um útero, uma mama ..um filho que nasce onde foi programado ( sem ouvir a mulher que pare !)

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