Mobilização pela saúde da população negra lembra desigualdades

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28/10/2015

Maior taxa de mortalidade materna entre mulheres negras, maior risco de morte por homicídio e menor acesso a exames clínicos são exemplos de desigualdades ainda encontradas por esta população.

Da Redação*

A Mobilização Nacional Pró Saúde da População Negra teve início nessa terça-feira (27) e segue até o dia 20 de novembro, data em que se comemora o Dia da Consciência Negra em homenagem ao líder quilombola, Zumbi dos Palmares. Neste período, ocorrerão atividades para refletir sobre a situação de desigualdade que esta população ainda enfrenta nos serviços de saúde.

Apesar de a saúde estar garantida da Constituição Federal como um direito que deve ser prestado com qualidade, de forma humanizada e sem discriminação, os dados refletem outra realidade. A Rede Saúde da População Negra destaca, por exemplo, a maior frequência de morte materna entre mulheres negras; maior risco de morte por causa externa, como homicídio; além de menor acesso a exames clínicos, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), de 2006.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2011, a taxa de mortalidade materna por 100 mil pessoas era de 68,8 para mulheres negras e de 50,6 para mulheres brancas. Além disso, os homicídios aparecem como segunda causa de morte mais frequente entre a população negra, enquanto na população branca, o indicador aparece em quinto lugar.

O órgão destaca ainda que algumas doenças genéticas ou hereditárias são mais comuns nesta população, como diabete melito (tipo II), hipertensão arterial, miomas, deficiência de glicose 6 fosfato desidrogenas, além da anemia falciforme, que pode ser encontrada em frequências que variam de 2% a 6% na população brasileira em geral, e de 6% a 10% na população negra.

Anemia falciforme

“Pessoas com doença falciforme apresentam anemia crônica e episódios frequentes de dor severa, decorrentes do processo de vaso oclusão causados pela forma de foice (por isso o nome falciforme) que as hemácias assumem, após liberarem o oxigênio para os tecidos, impedindo que elas circulem adequadamente”, explica informe do Ministério da Saúde.

O tratamento da doença é feito com ácido fólico (de uso contínuo), penicilina oral ou injetável (obrigatoriamente até os cinco anos de idade), antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios (nas intercorrências).

O diagnóstico deve ser feito nos primeiros meses de vida. Nesse sentido, segundo o órgão federal, o Programa Nacional de Triagem Neonatal exerce um papel fundamental, pois viabiliza o teste do pezinho. A Rede Saúde da População Negra destaca que cerca de 3,5 mil crianças, segundos dados da triagem, nascem com a doença anualmente. É a doença genética de maior incidência no Brasil.

Saude Populacao Negra

*Com informações da Rede Saúde da População Negra

Foto de capa: Reprodução/Rede Saúde da População Negra

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