VER-SUS: estágio quer aproximar estudantes da saúde pública

Facebooktwitter

02/09/2015

O programa do Ministério da Saúde propõe ampliar as perspectivas de atuação dos estudantes de medicina, que, muitas vezes, vislumbram apenas a iniciativa privada.

Da Redação

Aproximar estudantes da área da saúde da dinâmica do Sistema Único de Saúde (SUS). Na avaliação da estudante Paula Etlinger, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), é difícil encontrar experiências assim nas universidades. “Não tem muito espaço pra esse tipo discussão”, apontou. Para refletir sobre o compromisso que esses futuros profissionais devem ter com a população por meio da saúde pública, ela participou, em julho, de um estágio de vivência, promovido pelo Ministério da Saúde, o VER-SUS.

O programa de estágio, que nos anos 1990 era uma iniciativa do movimento estudantil, passou a ser uma política do Ministério da Saúde em 2003. De acordo com o órgão, o objetivo é compreender como os profissionais atuam no sistema e participam, juntos com os usuários, do controle social do SUS. “Você chega com um pensamento e muda e amplia também o desejo de militância”, apontou Paula.

Ela participou do VER-SUS em São Paulo, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, no interior paulista. Durante o período de estágio, ocorreram diversas atividades como debates e rodas de conversa com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

De acordo com o Ministério da Saúde, o VER-SUS tem, em média, 2 mil participantes por ano. Os estudantes passam por uma vivência que tem duração média de sete a 15 dias. O programa ocorre em dois períodos no ano: no verão, durante as férias universitárias do primeiro semestre, e no inverno, nas férias do segundo semestre.

O VER-SUS promove vivência, com impactos tanto racionais quanto afetivos, que geram importantes aprendizados nos participantes. Com o desejo de atender as necessidades da população, com compromisso social, o programa busca participantes que não querem apenas a inserção uniprofissional no mercado privado”, explica, em nota, a assessoria do ministério.

A partir de 2011, a Rede Unida, um movimento que envolve profissionais, professores, pesquisadores e estudantes do campo da saúde e educação, passou a ser uma instituição importante na colaboração do programa. A instituição contribui para a multiplicação das vivências. Além dela, também colaboraram com a iniciativa, universidades, prefeituras, movimentos sociais e entidades do movimento estudantil.

O programa reforçou minha convicção de que somente através do compromisso com os princípios do SUS e da resistência contra todas as tentativas de desarticulação da saúde pública poderei ser um profissional engajado com as reais demandas do povo”, afirma Hugo Sant’Anna Alves, o estudante participou do programa em Aracaju, capital sergipana.

Em Sobral, no interior do Ceará, o VER-SUS teve duração de 11 dias e contou com a participação de estudantes da Educação Física, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia e Administração. Durante a vivência, os estudantes foram instigados a observar os serviços visitados e propor ações para um projeto de intervenção. Eles terão cinco meses para trabalhar o projeto e apresentarão os resultados em dezembro, como devolutiva para o município.

As duas edições previstas para 2015 já ocorreram. O edital do VER-SUS edição Verão 2016 está previsto para o final deste ano.

Facebooktwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

São bem-vindas declarações que se proponham ao diálogo, defendam posições, que exponham ideias, dúvidas, sugestões e críticas. Não serão aceitos comentários sexistas, xenófobas, racistas, homofóbicas ou que contrariem princípios dos direitos humanos. A moderação também irá filtrar a comentários que incorram em crimes de ódio, incitação à violência e calúnia. Textos com propaganda comercial serão excluídos.