Médicos se solidarizam com estudante atacada por discurso

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11/08/2015

Da Redação

A estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou, em seu perfil no Facebook, as ofensas sofridas após discurso na cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos, em Brasília. Luiza falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida, a partir da oportunidade de estudar medicina por políticas públicas do governo Dilma Rousseff.

“Vadia”, “ignorante”e “médica vagabunda pobre” foram algumas das palavras usadas para ofendê-la. “Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara”, escreveu Luiza. A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares divulgou nota hoje (11) em solidariedade à jovem.

Confira, integralmente, a nota da Rede:

Nota de Desagravo da Rede de Médicas e Médicos Populares à Ana Luiza Lima

A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias  palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da Presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à Presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo – numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte – mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à Presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão à você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

Leia o relato de Ana Luiza na página pessoal dela no Facebook:

QUEM QUER A CABEÇA DA ESTUDANTE DE MEDICINA?

“Me pergunta, que tipo de sentimento é o medo? Te respondo — dos outros! O meu é o mesmo há várias luas…Deixa os verme falar pelos cotovelos eu ainda falo pelas ruas!!!!” – Emicida.
Vim aqui pra deixar coisas claras. Vim falar porquê a minha garganta não aguenta o nó que se formou. E eu NUNCA fui de calar. Fui convidada a falar sobre a transformação que a educação causou na minha vida e sobre a alegria de cursar medicina. E assim escrevi um texto, de coração e de peito aberto. E hoje penso em tudo que eu disse e tudo que eu queria ter dito mas não foi ouvido. Minhas palavras ecoaram. Porém nunca foram direcionadas à NENHUM partido político. Foi o reconhecimento de um acerto e uma reafirmação do que eu acredito e luto. Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA. De novo. Está tudo guardado, não para dar respostas. Mas porque aprendi desde cedo a não responder ódio com violência. Não. Eu NÃO tenho a SUA sede de sangue.
Mas eu tenho uma novidadinha pra essa classe COVARDE de profissionais. A mesma classe que eu já vi combinando entre si no MESMO grupo, de “tratar mal os negros, as feministas e os gays que chegassem nos consultórios médicos, pra que esse povinho aprendesse seu devido lugar”. A novidade é que minhas palavras não foram em nenhum momento pra vocês. Vocês que ignoram a realidade cruel vivida todos os dias nos hospitais públicos. Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis. Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.
Eu não fui nenhuma heroína, e eu conheço mil médicos que são verdadeiros heróis. Que não precisaram de mais NADA além de força de vontade pra vencer na vida. Mas me desculpa, é que eu penso além. Eu sonho com o dia em que vamos cobrar das nossas crianças, apenas COMPETÊNCIA pra vencer, e não mais heroísmo.
Eu tô falando com aqueles meninos que você tem medo quando para no sinal, tô falando daqueles com fuzil na mão vigiando um fio de vida nos morros das grandes cidades. Tô falando daquela menina que mora na rua e cata latinha, daquele nos campos com enxada na mão cortando cana. Daquela que perde a infância nas esquinas da prostituição. Tô falando daqueles que você insiste em dizer que não existem. Por quê quando você percebe que ELES EXISTEM, coça em você uma ferida podre de 515 anos. Te dá um medo na espinha quando aparece alguém pra defender uma educação por eles e para eles. Te gela a alma a chegada do dia em que o povo não vai mais esquecer seus Amarildos e suas Cláudias Silvas….
Eu já consigo imaginar muitos de vocês rindo, pensando na reeleição garantida, enquanto veem no jornal o povo gritando por mais prisões e menos escolas. E apesar de me doer, eu entendo esse grito.
Eu engoli meu medo porque sei que toda luta pode ser desmerecida. Eu dei minha cabeça à prêmio, e voltei pra casa com a esperança real de um hospital universitário pra minha região onde muita gente tem sorte de ter a esperança de ter um prato de comida.
Eu recebi um agradecimento da prefeita de uma das maiores cidades do país, dizendo que graças às minhas palavras, um novo plano pra educação pública vai ser pensado, e que ela se encheu de esperança e disposição para lutar com unhas e dentes pelos professores da rede pública e pelos jovens em situação de risco. Isso já me curou de todos os medos e de todo o ódio que me foi jogado.
Esperança. Vontade de mudar. EMPODERAMENTO de um povo PELO seu povo.
Eu sei que eu não sou nada nesse sistema corrompido e intricado. Eu sei que não sou ninguém diante dos poderosos desse país. Mas eu tenho outra novidade, eu não estou sozinha, e gente como eu, é quem te causa os piores pesadelos à noite.
E eu vou seguir, mesmo frágil, mesmo com medo, mas sempre acreditando.

“Então serra os punhos, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia.”

Assista ao discurso de Ana Luiza na cerimônia do Mais Médicos (entre os minutos 42’40” e 51’40”):

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22 comentários sobre “Médicos se solidarizam com estudante atacada por discurso

  1. O ódio está deixando as pessoas fora de si. Ultrapassaram todos os limites da tolerância. É preocupante! Nunca vi isso antes. Estou impressionada!

  2. Sou médico pelo Programa Mais Médicos, a resposta dela e o apoio de vocês são emocionantes e inspiradores. Obrigado!

  3. Vocês ainda não perceberam que o povo não cai mais nas mentiras de vocês? Que todo mundo já sabe da intenção de jogar o Brasil no poço de lama que é o socialismo/bolivarianismo? Façam-se de vítimas o quanto quiserem, O POVO NÃO ACEITA MAIS SER ENGANADO POR VOCÊS. Cansou de ser roubado, cansou de ter suas mazelas utilizadas para um grupo de psicopatas manterem-se no poder. O ÓDIO É CULPA DE VOCÊS. Vocês que jogam pessoas umas contras as outras, O TEMPO INTEIRO. O povo percebeu. E não tem nada que vocês possam fazer, apenas aceitar que a aventura inconsequente teve um fim.

  4. Esse discurso carregado de ódio, está em todos os lugares, motivado por uma pequena minoria, que não respeita o voto da democracia, que disse não para uma elite hipócrita e que não suporta, ter que chegar em casa e não ter mais, uma filha de um agrucultor, em uma cadeira de uma faculdade, se preparando para o futuro, aonde em um tempo atrás, não muito era escravisada,,pelo patrão de seu pai, que trazia do seio de sua família, com promessas de estudar e eram simplesmente usadas para servi-los e algumas até abusadas sexualmente, vocês tem que engolir essa derrota, até quando vcs vão ficar destilando odio, acontece que esse veneno só faz mal a vocês mesmo, acirda Brasil!

  5. São todos burgueses,pois quando estão trabalhando na rede pública de saúde tratam nos pobres com se não fossemos gente que tem direito.São preconceituosos e filhotes da ditadura.NÃO DEIXE QUE ESTAS POSTURAS RIDÍCULAS LHE DESESTIMULE.

  6. Impressionante esse ódio que as elites desenvolveram pela esquerda ou por quem quer que deseje fazer alguma coisa pelos mais pobres, pelos negros, enfim , pelos que tem menos condições de vida. Como diz a canção ” mas é preciso ter raça, e preciso ter força ” e isto o governo do PT tem demonstrado. É isso que fere de morte os mentores desse ódio. Mas vai passar, porque não é possível que o povo não perceba que a elite quer manter a mesmice de 515 anos.

  7. Não sou médica, mas venho dar minha solidariedade a você, Ana, e a todos os “médicos” do Brasil e que estão trabalhando no Brasil.
    Bravo, garota!
    O ódio não vai vencer. Mas tenho que dizer: quanto mais inveja, mais podridão vemos sair da boca das pessoas. Inveja pura! Quem trabalha não tem tempo de proferir tanta asneira.
    Um abraço!

  8. Toda minha solidariedade à cidadã e estudante de medicina Ana Luiza Lima.
    Todo o meu repúdio aos moleques misóginos e aos analfabetos políticos, vestidos de
    branco ou não, que utilizam da agressão e da violência para se manifestarem contra os que
    não são amestrados pela mídia venal hipócrita ou porque não seguem seu rebanho de
    insensatos preconceituosos e discriminadores.

  9. Agora eu me pergunto como é que pode um “médico Formado” xingar uma colega de trabalho de “Vadia”, “ignorante”e “médica vagabunda pobre”??? Já dá pra tee uma idéiade como eles devem tratar os seus pacientes da mesma classe humilde.
    Isso é repugnante, desonrroso e discriminatório, eles deveriam ser processados por Calúnia, Difamação e ainda ter os seus CRM caçado. Se eles não tem o pudor de expressar esse pensamento de mente pequenas que eles tem, também não são dignos de serem médicos. Nenhum indivíduo que trata assim o seu próximo e que fez um juramento em salvar vidas, deveria ter essa tal conduta inadmissível, devem ser afastados e expulsos de suas funções.
    Imagina como eles devem tratar os seus pacientes que não tem a oportunidade de se defender de tal covardia.
    #Lamentável 😔😔😔

  10. Oi Ana.
    Sou médico e quero cumprimentar-te pela emocionante homenagem prestada à nossa guerreira mulher que preside nosso Brasil: lágrimas vieram aos meus olhos. Parabéns.
    Eu como vítima da hipocrisia solidarizo-me contigo e te desejo muitas felicidades: sei que também és uma mulher de muito valor.

  11. Fiquei muito emocionada com o discurso desta estudante de medicina. Sou advogada e moro em SP. Sequer sabia que existia uma universidade de Medicina em Caiacó, tendo como objetivo a integração regional.
    Fiquei estarrecida com os comentários maldosos.
    Estas pessoas que pregam o ódio deveriam ser identificadas e penalizadas pelo que mais amam: “o seu próprio bolso” em ação de indenização por danos morais. É necessário provocar e denunciar ao Ministério Publico e Defensorias Públicas cada ato maldoso destes e que os seus autores sejam punidos de acordo com a Lei.
    Afinal lutamos muito para vivermos em um País democrático e de Direito.

  12. Sou solidária com a dor da Dra. Ana Luiza e repudio com todas as minhas forças as manifestação de ódio contra esta menina linda e cheia de entusiasmo e esperança. Emocionante o desagravo da Rede Nacional de médicas e médicos populares. Erga esta cabecinha linda Ana e bola pra frente, pq é de jovens assim q precisamos viu?
    P.S. Minha filha (filha de vigilante x comerciária) se formou e colou grau em agosto/2015 como Bio Médica e está agora fazendo pós na USP. Ela consegui estudar graças aos programas educacionais do governo federal o Pró Uni.
    PARABÉNS PRA VC ANA LUIZA.

  13. Sou Veterinária, especializada em Medicina Felina e Homeopatia, e sou grata por ter tido a oportunidade de estudar com o apoio das políticas públicas. O Brasil não é da minoria, o Brasil é nosso, é do povo e agradeço a Dilma q a duras penas ainda tenta preservar o acesso dos mais pobres a educação superior. Parabéns Anã Luiza, VC já é um sucesso, VC é médica de verdade!!! Deus abençoe sua caminhada!!!

  14. Bravo Ana! Não podemos nos calar. Precisamos denunciar as agressões, muitas passíveis de penas na justiça, só assim esses delinquentes começarão a pensar no que dizem.

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