Aleida Guevara: medicina deve buscar benefício para o povo

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25/08/2015

Para a médica cubana, filha do revolucionário Che Guevara, “a medicina tem que buscar benefícios para o povo” e oferecer “a possibilidade de se viver com dignidade”.

Da Redação

A médica cubana Aleida Guevara conhece bem os embates, nos âmbitos econômico e político, para se garantir o direito à saúde aos cubanos. Para ela, não foi novidade ver a reação negativa das entidades médicas à chegada de profissionais cubanos para participar do Programa Mais Médicos para o Brasil. “Os conselhos de medicina da América Latina, de maneira geral, reagem de maneira muito desagradável e nos fazem pensar que não são verdadeiros profissionais de saúde, mas mercenários da saúde”, declarou em entrevista ao Saúde Popular, em Havana, capital cubana.

A filha do guerrilheiro revolucionário Ernesto Che Guevara aponta que, além de prover assistência médica, os mais de 11 mil profissionais da ilha caribenha que atuam no Brasil simbolizam um modelo de medicina baseado na prevenção e na solidariedade. “Você pode ser útil em qualquer lugar do planeta. Isso é o que aprendemos e tratamos de levar à prática”, apontou.

Nesta entrevista, dividida por tópicos, Aleida fala sobre as especificidades do modelo de medicina de Cuba e explica como a saúde se tornou prioridade para o Estado cubano a partir da revolução.

Saúde é viver com dignidade

Em 1953, quando do assalto ao Quartel Moncada, Fidel [Castro] foi preso e, como era advogado, fez sua própria defesa, na qual ele falou dos problemas de Cuba e dos projetos que eles queriam fazer se tomassem o poder, e um dos projetos mais importantes era dar saúde ao povo. Aqui, como em grande parte da América Latina naquela época, e infelizmente em outros países ainda hoje, era comum a morte de um ser humano por doenças que podem ser curáveis, pois o médico ficava muito distante do lugar em que vivem [essas pessoas]. Crianças podem morrer por uma simples diarreia, por uma desidratação. Essas eram coisas que existiam em Cuba.

Com o triunfo da revolução, Fidel Castro torna realidade o projeto que defende em a “História me absolverá”. Ele escreve tudo que se deveria fazer no processo revolucionário em Cuba e o primeiro é dar saúde ao povo. Se você quer um povo que tenha possibilidade de trabalhar, criar, resistir a situações difíceis, tem que ser um povo forte, saudável.

Meu pai [Che Guevara] dizia que o médico devia fazer isso possível. Não só por uma ação como médico, mas por uma ação da coletividade. Meu pai falava da medicina na comunidade, que deve criar um estado de saúde para os indivíduos. Não é somente não ter uma lesão física, uma doença, mas saúde como um conceito mais amplo. Uma saúde no sentido de que se tenha dignidade, trabalho, moradia, que se possa ter um lugar para desfrutar da vida. Isso é o que dá saúde para o ser humano. É ter a possibilidade de viver com dignidade.

Aleida Guevara em entrevista exclusiva ao Saúde Popular
Aleida Guevara em entrevista exclusiva ao Saúde Popular

Medicina cubana: prevenção e solidariedade

Nós [cubanos] nos demos conta que era muito mais fácil prevenir uma doença do que ter que curá-la. A medicina cubana se caracteriza, sobretudo, pela prevenção. Prevenimos doenças, mas, ao mesmo tempo, tem um caráter internacionalista. Ou seja, nós nos formamos no curso de medicina já com a consciência de que se pode ajudar o ser humano em qualquer parte do mundo. Você pode ser útil em qualquer lugar do planeta. Isso é o que aprendemos e tratamos de levar à prática. A medicina cubana tem como características fundamentais a prevenção e o caráter internacionalista.

A ajuda ao Brasil

A presidenta Dilma [Rousseff] pediu esta ajuda à Organização Mundial da Saúde [OMS]. O Brasil não contacta Cuba diretamente, mas sim a OMS. Há uma necessidade, o Brasil é um país imenso e os médicos infelizmente são uma elite, são formados para ter consultórios. Existem alguns em hospitais públicos e alguns muito bons, mas infelizmente não é a maioria e não é suficiente para atender toda a população. Vocês têm muitos médicos, mas o problema é que muitos deles não querem ficar nos lugares mais difíceis. Diante disso, a presidenta viu a necessidade de pedir ajuda. É somente isso. A OMS decidiu que Cuba era um país que poderia oferecer esta ajuda massivamente. Tem muitos médicos nossos também na Venezuela, cerca de 10 mil, outros 2 mil na Bolívia e assim em outras partes do mundo.

Conselhos de medicina e os médicos cubanos

No início, foi tremendo para os nossos médicos, porque as reações dos conselhos de medicina da América Latina são brutais, porque são de elite. Pensam que os médicos que vão trabalhar nas zonas mais pobres, nas zonas mais difíceis, podem ‘roubar’ clientes. Nisso é que erram, porque nós não temos clientes, nós atendemos pacientes. O cliente é aquele que paga, o paciente é aquele devemos atender, a pessoa que precisa de assistência médica. Nós não perguntamos quanto tem de dinheiro, isso não nos interessa. O que nos interessa é servir ao ser humano. Essa é a diferença entre muitos médicos no Brasil e os médicos cubanos. Nós servimos ao povo e, segundo Che Guevara, é o único amo a que devemos respeito.

Uma parte do dinheiro que OMS paga a Cuba vai para nossos hospitais, para desenvolver mais nossa medicina e, também, para ajudar na vida dos médicos que ficam aqui. Quando se vão esses médicos para outros lugares, os que ficam aqui, às vezes, precisam trabalhar o dobro, porque temos que fazer o trabalho do que se foi. Do ponto de vista econômico, o Estado trata de compensar os que estão trabalhando internamente no país. Normalmente, não temos problema com isso porque temos um povo muito solidário. Quando um cubano começa a dizer que quer mais dinheiro, ou que o exploram, já não é mais cubano. Nós educamos nossa gente, sobretudo, pela solidariedade. Nossos profissionais sabem que muito do dinheiro que ele ganha, neste momento, não vai ao seu bolso, mas vai ao Estado para compensar todas as necessidades que temos em saúde, educação e em bem-estar social do povo.

Mercenários da saúde

O conselho de médicos [da Argentina] não permite que os cubanos trabalharem em território argentino. A Operação Milagre é uma das ações que a Alba [Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América] desenvolveu com quase 5 milhões de pacientes operados gratuitamente de catarata, para devolver-lhes a visão. Apesar de tudo isso, [o conselho] não quer que médicos cubanos trabalhem lá. Temos que trabalhar pela fronteira da Bolívia por culpa deste conselho de medicina, que não é médico realmente, é um grande reacionário. A medicina não pode buscar benefício para o médico. A medicina tem que buscar benefício para o povo e, neste sentido, os conselhos de médicos da América Latina, de maneira geral, reagem de maneira muito desagradável e nos fazem pensar que não são verdadeiros profissionais de saúde, mas mercenários da saúde.

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10 comentários sobre “Aleida Guevara: medicina deve buscar benefício para o povo

  1. Parabenizo todos os médicos cubanos que estão no Brasil, pois são profissionais da saúde, que chegaram e mudaram o conceito de como tratar o paciente e não o doente, como se fazia no Brasil….

    1. Vocês estão de parabéns pela solidariedade viva todos os povos viva o povo da América latina

  2. Que obra preciosa de Deus, que matéria mais linda, maravilhosa.
    Grande é Deus, refúgio do pobre e do necessitado, mas ao de coração altivo abaterá e mostrará a salvação a todos os povos.
    Queridos irmãos, avante, o Senhor faz proezas no meio dos povos, avante!

  3. A vida em Cuba é uma maravilha a saúde de recente qualidade Por favor Dilma e Luladrao se tratem com médico cubano

  4. Gostaria de parabenizar à ‘fala’ da Dra Aleida Guevara, com respeito à “Medicina mercenária” que infelizmente, ainda é desenvolvida aqui no Brasil.
    Apesar do Conselho de Medicina da Argentina,” ainda” ñ permitir a entrada de medicos cubanos. Mesmo assim, o conceito de humanização, por parte dos medicos lá, me pareceu bem superior ao q é praticado, ainda por aqui, (embora com algumas excessões, claro!!)
    Além de tocar, apalpar e assistir os pacientes melhor, por lá, pude comprovar q sentimento capitalista por lá, na Argentina, é também, bem diferente. Uma vez, q pude conhecer colegar médico q para completar à renda famíliar, depois de um dia de plantão, uns se desdobram como taxistas e até como gari. Pq “até como gari?” Respondo: pela tamanha discrepância com os “empresários” da medicina de aqui, do Brasil.
    Parabéns à visão ousada e humana do Governo cubano!! Q embora, submergido à anos de embargo econômico pelo “tio San” fez e faz bonito na medicina humanistíca!!
    Parabéns à BRAVURA da nossa presidenta Dilma Rousseff, pelo MAIS MÉDICO, por não se dobrar ante às “más-línguas” q até hoje distorcem seus ideais de Líder Maior de nossa Nação!!
    Parabéns ao PT e ao Futuro Presidente Lula, por td q fez, está fazendo e com à Bênção de Deus: fará muito mais pelo Brasi e pelo Mundo!!
    PARABÉNS BRASIL!!
    Eder Tavares, brasileiro, ex-aluno de medicina na UBA (Universidade de Buenos Aires-Argentina).

  5. Bravos (as)!! E nós só temos que agradece-los, em sempre!!! Abraços afirmativos solidários irmanados com o povo e o país cubano, sempre avante nas lutas às conquistas objetivadas, Clebion Miranda, 65, e familiares, em Taubaté – RMVale, SP – Brasil

  6. Claro conciso e preciso o princípio “Servir ao ser humano”. Este fundamento deveria ser estendido a todas as profissões no Brasil. Importante é servir ao povo e não aos profissionais, quaisquer que sejam as profissões.

    Obrigado por esta ideia tão simples e tão verdadeira.

  7. Brilhante a exposição da Dra. Aleida. A resposta que o profissionais da saúde da família estão praticando aqui em nosso país é fenomenal. As mudanças sao visíveis. Aqui na minha cidade, temos 24 profissionais que estao atuando nas periferias. A diferença e competência no atendimento é notória. Os indicadores, após 02 anos de intervenção está acontecendo e inclusive alteração a visao dos nossos médicos brasileiros. Excelente programa adotado pela Dilma.

  8. Essa entrevista é uma escola para os médicos brasileiro, que só pensa de ganhar muito dinheiro, parabes para os medicos cubanos, viva a revolução cubana.

  9. Esta descarada preparo actos de repudio en Cuba para estudiantes como ella que no simpatizaban con la imposicion del regimen que ella apoyaba. Y por que diferir con la idelogia impuesta.
    Hicistes lo mismo que tu padre, destruistes la vida de muchos cubanos.
    Yo fui su victima, pues fui expulsado de la carrera de medicina en 1980 por no apoyar los actos de repudio que le hacian a personas indefensas que solo querian salir de Cuba sin hacerle daño a nadie. Esta bloqueado esto?. No me extraña. Son las artimañas de este nefasto elemento.
    Ahora ella vive del dinero que gana con la venta de los articulos que llevan la cara del odioso padre. Cuanto engañan a la gente para vender esa detestable cara. Son millonarios! Que sigan los imbeciles enriqueciendo a tan viles personas.
    Aleida Guevara, organizastes muchos actos de repudio para atacar personas inocentes en el año 1980. Estabas en segundo año de la carrera de medicina en el grupo 1234 de Victoria de Giron.
    Lo niegas? Algun dia iras a un jurado a declarar todo el daño que has hecho. Tu padre ya lo pago. Puedes estar segura que estare ahi para denunciarte No asesinastes como lo hizo tu padre, pero hicistes mucho daño, y yo te voy a desemascarar.
    Tu odiado amigo, una victima de tus actos de repudios de Giron, Escuela de Medicina en Cuba.
    Que se haga justicia con personas de tu calaña.
    Si hay justicia en el mundo que encarcelen a estos personajes!

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