Notícias de morte após cesariana mostram preconceito com parto natural

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Foto: Reprodução Facebook

Notícias distorcidas da morte da professora Mariana de Oliveira Fonseca Machado sugeriam aos leitores que a escolha pelo parto humanizado foi o causador da tragédia

27/07/2015

Da Redação

“Professora morre ao tentar dar a luz em casa por 48 horas”. Foi assim que alguns de veículos de imprensa noticiaram a morte da professora Mariana de Oliveira Fonseca Machado, 30 anos, ocorrida no último dia 21.

Com informações distorcidas, a reportagem sugeria ao leitor que a escolha pelo parto humanizado havia sido o causador da tragédia. Mariana, na verdade, morreu 11 dias após ter sido submetida a uma cesariana.

Depois que a notícia ganhou as redes sociais, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde Mariana trabalhava, enviou nota à imprensa para esclarecer o fato. A instituição explicou que Mariana entrou em trabalho de parto no dia 11 de julho e foi acompanhada por profissional capacitado durante todo o processo.

De acordo com a universidade, em continuidade ao trabalho de parto, Mariana foi submetida a uma cesariana, tendo a oportunidade de pegar a filha no colo e amamentá-la. “Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho”, explica a nota.

A instituição criticou ainda o preconceito contra o parto humanizado, a cultura da cesárea e a falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais.

Confira aqui a matéria do Brasil Post.

Na íntegra, a nota da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar):

“Nota de Esclarecimento – Manifestação do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos

Professora Doutora Mariana de Oliveira Fonseca Machado, enfermeira obstetra, mestre e doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, era docente e pesquisadora da área da Saúde da Mulher do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos. Com base em seu conhecimento e acompanhamento médico durante o pré-natal, que evidenciou uma gestação sem intercorrências, aguardou a evolução para um parto natural.

Assim, a Prof.ª Mariana entrou em trabalho de parto no sábado, dia 11 de julho, estando acompanhada por profissional capacitado durante todo o processo. Para continuidade do trabalho de parto, encaminhou-se ao hospital no início da noite do mesmo dia, chegando ao local em perfeito estado de saúde. Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la.

Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho. Infelizmente, preconceitos em relação ao parto natural e a “cultura de cesariana” brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso.

Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna, a hemorragia é a mais frequente delas.

Em solidariedade à família da professora Mariana, o Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos manifesta seu profundo repúdio às manifestações sensacionalistas veiculadas. Como instituição dedicada à promoção de conhecimento, convidamos toda a comunidade à reflexão e colaboração para que a verdade deste triste episódio seja esclarecida, contribuindo para a melhora do cuidado à saúde das grávidas do Brasil”.

São Carlos, 24 de julho de 2015.

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2 comentários sobre “Notícias de morte após cesariana mostram preconceito com parto natural

  1. Olá, sou defensor do parto humanizado. Entendo que o parto por intermédio de cesária propõe uma segurança maior à mãe, pois evita significativamente as dores e, em alguns casos, o risco de ser prejudicada por uma falta de condição fisiológica ao parto. O parto humanizado é a ocorrência de um fenômeno natural que dita o exato momento que o feto se apresenta pronto para ser liberado. Porém, hoje há diversos aspectos influentes nas condições da gestante. Neste caso, a cesariana oferece melhores condições de saúde pós-parto. Penso eu que estamos sendo encaminhados por pesquisas em busca de implementações na área de partos por cesariana e acredito que estamos no melhor caminho. Portanto, é importante enfatizar que esta área está sendo implementada por diversas pesquisas e que os médicos responsáveis (obstetras) atualizem-se sempre.

    1. Você precisa se informar melhor Vitor. A cesariana tem desfechos maternos e perinatais piores.

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